26.9.12

Mito do mundo desenvolvido #1: da perfeição

Quantas vezes você, no Brasil, ouviu expressões do tipo “é por isso que somos terceiro mundo” ou “por isso que o Brasil não vai pra frente”. Esses são sintomas latentes do que penso ser um preconceito bem incrustado no nosso inconsciente coletivo: “somos inferiores aos países de primeiro mundo”.

E o outro lado desse fenômeno é crer que países desenvolvidos, sobretudo na América do Norte e Europa, são melhores do que o Brasil em tudo.

O ponto central desse erro de raciocínio é a extrapolação que fazemos, às vezes até sem querer, da comparação de pontos específicos para o caso geral.

Desde que comecei a viajar para o primeiro mundo pela primeira vez, há 3 anos, pude começar a pontuar onde as diferenças realmente estavam. E, agora, tendo vivido um ano no país que há tempos ocupa o topo do ranking de melhor IDH do mundo, creio que consigo diferenciar ainda melhor os atributos que fazem um país desenvolvido melhor e, principalmente, os problemas que mesmo uma sociedade “avançada” enfrenta.

Pois, sim, há problemas mesmo no rico e igualitário Reino da Noruega. E, não, dinheiro e igualdade de oportunidades não resolvem tudo.

O primeiro susto ao ler os jornais noruegueses quando cheguei (com ajuda do Google Translator, claro), foi notar que há um alto grau de incidência de estupros em Oslo, e mesmo em diversas outras cidades norueguesas. Pelo site da polícia de Oslo é possível comprovar que foram 213 casos de estupro reportados na cidade em 2011, mais 43 tentativas.

Esse número é absurdo para uma cidade de padrão tão elevado como essa, e considerando que a população é de apenas 600 mil habitantes.

Mas a alta incidência de violência sexual tem ligação direta, segundo declarações da própria polícia, com o alto consumo de bebidas alcoólicas por jovens. Muitos jovens bebem bem além do ponto de auto-controle, incluindo aí as moças, que se tornam então presas fáceis para estupradores.

Aliás, muitos dos estupradores são de origem não-norueguesa, e não-ocidental, e aí se chega ao desafio seguinte: o da imigração. Claro que a imigração traz benefícios para o país, mas uma mudança significativa na base populacional em curto espaço de tempo (últimos 25 anos) trouxe turbulências para uma sociedade antes tão homogênea.

Esses pontos já são suficientes para mostrar que nem tudo é perfeito por aqui. Há outros ainda. Mas paro por enquanto. E até breve.

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