23.2.10

Cities at night

On my way to create the last post published below (about the DMSP image of Earth at night), I came across something that really impressed me.


It was a video of cities at night taken by astronauts from the ISS (International Space Station). A little later, I found an article that explained in details what that video was about.


To make a long story short: astronauts used to take Earth pictures from space, but they couldn’t avoid blurring due to the ISS velocity relative to the Earth’s surface combined with the exposure time required to capture night lights.


A solution to this problem was finally obtained by the astronaut Dan Pettit, who managed to create the system showed below to compensate the Space Station movement in order to get sharp images.



The outcome of this system was an impressive set of images from Earth cities, with about 60 meters of estimated resolution. These pictures were taken at night, when is easier to catch a realistic view from the spatial distribution of the cities.


Finally, Dan Pettit himself assembled a video from these images, in which he guides us in a tour around the world to discover the beautiful configuration of cities from different parts of the planet – and the implicit cultural differences that lay under the historical process of these cities formation.




You can find here a high definition version for the movie above.

18.2.10

O mundo à noite e o consumo de energia


Talvez a imagem acima não lhe seja novidade, caro leitor. Trata-se, basicamente, da iluminação pública da Terra, vista durante a noite, a partir do espaço. Imagens semelhantes são produzidas já há alguns anos, e com relativa frequência, com base nos dados obtidos pelos satélites do DMSP (Defense Meteorological Satellite Program), órgão ligado à Força Aérea norte-americana.

Essa imagem, em particular, foi obtida do site da Nasa. Mais especificamente, da seção de fotos do dia (Picture of the Day Archive).

Como a Terra sempre tem metade de sua superfície iluminada pelo dia e metade escurecida pela noite, trata-se de uma montagem.

Não são poucas as interpretações possíveis a partir de imagens desse tipo. A mais evidente é a correlação entre áreas desenvolvidas e iluminação, uma vez que Estados Unidos, Europa e Japão são os pontos de maior espalhamento luminoso do planeta. Uma segunda interpretação análoga seria a correlação entre desenvolvimento e consumo energético.

Duas regiões surpreendem positivamente em termos de luminosidade: Índia e leste da China, uma vez que se assemelham a regiões de maior maturidade econômica.

Por outro lado, grandes porções da África, América Latina, Ásia e Oceania ainda apresentam-se parcamente iluminadas durante a noite. Isso indica um provável aumento da demanda por energia num futuro próximo, dado que tais regiões continuarão a se desenvolver economicamente, ainda que em ritmos mais ou menos intensos.

Para um mundo já carente de fontes energéticas e com previsão de esgotamento do petróleo nas próximas décadas, a imagem acima pode evocar uma ameaça – de colapso no abastecimento global de energia – ou uma oportunidade – para o desenvolvimento de novas tecnologias e novos negócios. Depende de como se queira ler a realidade.


4.2.10

Abelhas, castores e homens

Estou lendo, atualmente, o livro Lições Preliminares de Direito (Editora Saraiva, 1987, 381 páginas), do grande mestre jurista brasileiro Miguel Reale.

São várias as passagens enriquecedoras do texto, escritas sempre numa linguagem ao mesmo tempo clara e precisa – o que só confirma, para mim, a fama extremamente positiva desse autor.

Um trecho, contudo, pareceu-me propício para figurar como um post, dado sua proximidade com o último assunto aqui publicado. Tomei a liberdade de incluir algumas frases extras do excerto em questão, para dar maior contexto ao ponto que interessa.

“É preciso compreender o sentido da palavra ‘natural’ empregada por Aristóteles e seus continuadores. Não há dúvida que existe, na natureza humana, a raiz do fenômeno da convivência. É próprio da natureza humana viverem os homens uns ao lado dos outros, numa interdependência recíproca. Isto não quer dizer que o homem, impelido a viver em conjunto, nada acrescente à natureza mesma, pois ele a transforma, transformando-se a si mesmo, impelido por irrenunciável exigência de perfeição.

A sociedade em que vivemos é, em suma, também realidade cultural e não mero fato natural. A sociedade das abelhas e dos castores pode ser vista como um simples dado da natureza, porquanto esses animais vivem hoje, como viveram no passado e hão de viver no futuro. A convivência dos homens, ao contrário, é algo que se modifica através do tempo, sofrendo influências várias, alterando-se de lugar para lugar e de época para época. É a razão pela qual a Sociologia é entendida, pela grande maioria de seus cultores, como uma ciência cultural.