20.8.08

Sobre biografias

Bom, o que ia dizer sobre biografias em geral cabe em quatro palavras: elas são muito importantes!

Assim dito parece pouco, mas não é. Na minha vida de leitor não posso dizer que tenha dado grande prioridade a biografias. Consigo listar, agora, dez delas que li, apenas. Pode até parecer muito, para alguém mais novo ou menos dado a livros do que eu, mas certamente soa ínfimo para alguém mais velho ou mais bom leitor.
Mas o que me impressiona é o fato de lembrar quase tudo que li nessas biografias! Tendo a considerar, isso dito, que boas biografias marcam mais o espírito humano que a média dos livros.

Enquanto lia Churchill, de Roy Jenkins, voltei a pensar sobre essa capacidade de impacto no longo prazo que têm as biografias. Cheguei à conclusão, que admito soar tola, compreensivo leitor, de que linhas biográficas apelam diretamente ao nosso desejo humano de auto-superação.


O porquê desse desejo eu não sei exatamente explicar. Alguns diriam que esse é um elemento cultural fortemente construído ao longo dos séculos pelas sociedades ocidentais e, ao que tudo indica, compartilhado pelos orientais, ainda que com roupagens distintas. Outros argumentariam que o ideal de superação é inerente à condição humana, tão normal de se possuir quanto o instinto de sobrevivência.


Não sei exatamente, mas talvez as duas versões tenham seu grau de verdade e de complementariedade. O ponto é, seja qual for a origem desse ideal “superacionista” humano, ele parece se entender muito bem com biografias. É como se, ao longo de um livro desses, fôssemos “calibrando” nossa própria vontade de superação, marcando territórios quanto ao que podemos e ao que não podemos fazer. E olha que grandes homens surpreendem sempre quando o assunto é fazer o impossível!


De qualquer modo, acho que aí vai explicado aquilo que pretendia ao afirmar que biografias são muito importantes. Eu mesmo pretendo, com isso, acelerar minhas leituras para voltar a deliciar-me com outras biografias, tão cedo quanto possível.


Paro por aqui, leitor paciente, que a coisa já se estendeu bastante! Volto em breve para falar do Churchill, propriamente dito, antes que a minha língua comprida diminua o brilho do Sr. Winston, que é o inspirador real dessas linhas todas.

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