18.8.08

Cielo e os ginastas brasileiros

(... continuando)
Uma pergunta, no entanto, insinua-se imediatamente na minha cabeça, ao pensar na medalha de ouro de Cielo: por que nossos atletas da ginástica saíram de mãos abanando de Beijing? Tínhamos ao menos 3 nomes com favoritismo bem superior ao de Cielo, em suas respectivas provas.

A resposta, claro, não é simples, mas tenho cá comigo uma forte sugestão: a de que faltou estrutura emocional para os ginastas.


Digo isso sem querer, de forma alguma, desmerecê-los. Por estarem nas Olimpíadas e por tudo que já conquistaram, esses atletas têm todo o meu respeito e admiração. Eles são, a priori, vencedores! Acontece que parece ter faltado, nos momentos decisivos, a certeza interior da vitória.


E, mais, suspeito que parte dessa falta de confiança provenha do modo como funcionam essas equipes de atletas em esportes individuais. Pelo que já ouvi da boca de uma pessoa que viveu numa equipe dessas, em nível não tão profissionalizado, sempre há rivalidade excessiva e, porque não dizer, até uma certa “competição maldosa” dentro de grupos assim. Isso acontece porque, quando alguém ganha, ele leva a honra sozinho, e não compartilhada como nos esportes coletivos.


Cafú tem o respeito do público pela Copa de 94 tanto quanto Taffarel ou Romário. Mas se Diego Hipólito ganhasse o ouro olímpico, os demais rapazes da equipe masculina de ginástica continuariam absolutamente desconhecidos. Aí se abrem os caminhos da rivalidade ruim para esses times. Penso que seja fácil evoluir para uma espécie de “peleguismo”: “ninguém ganha, ninguém vira queridinho do país sozinho e todos continuam iguais”. Que difícil superar semelhante “prisão” psicológica!


Ué, perguntará o leitor atento, mas o Cielo também não é parte de uma equipe, a da natação brasileira? Tem razão, leitor atento. Ele é, sim. Mas de alguma forma ele demonstrou ter desenvolvido uma atitude psicológica de campeão, desde o início. Em todas as entrevistas antes da final, ele dizia, sem constrangimentos, que melhoraria seu tempo, que traria o ouro no 50m livres! Dava sinais de absoluta confiança na sua capacidade. Toda essa confiança ele fez traduzir numa prova perfeita, na hora que a coisa era pra valer.


E por isso esses posts, esse tributo. Parabéns novamente ao campeão Cielo. E que nossos ginastas encontrem seus caminhos rumo à glória olímpica, porque eles também a merecem, e muito!

Um comentário:

bauermann disse...

Faz sentido. A diferença de atitude do Cielo talvez se deva ao fato de ele treinar no exterior, e ainda por cima com um treinador estrangeiro também.

Lá ele está livre dessa mentalidade mesquinha e de pouca ambição que parece dominar os brasileiros.

O Cielo mesmo disse que ir aos EUA foi a decisão mais acertada da vida dele.